Arquivo da categoria: Racismo

Consciência Negra: O humor que mata

Começa hoje uma série de posts em homenagem ao dia da consciência negra. Que apesar do que escuta-se com alguma frequência o racismo existe e afeta cotidianamente a vida de todas as pessoas negras. Contrária à interpretação usualmente dada a declaração, cortada e fora de contexto, do Morgan Freeman, para acabar com o racismo devemos falar sobre ele e entender os principais mecanismo de sua atuação.

O texto escrito pelo Thiago Ribeiro, do blog Renova-Ação Negra, fala sobre a perpetuação de preconceitos através de quadros humorísticos e sua veiculação em todas as formas de mídia. Desvendando um pouco o racismo escondido em alguns discursos tidos como inofensivos.

“Entendam que pensar que um negro não denuncia crimes ou que não tem o direito de lutar em defesa de seus direitos, caracteriza racismo também. Será que isso não é óbvio?

Como se não bastassem todos os ataques, ofensas e ameaças, agora ainda aparecem algumas pessoas dispostas a, ainda, defender tais atitudes. Só quero deixar claro que não sou contra outras formas de pensar ou agir, mas sou contra sim toda e qualquer forma de preconceito e discriminação. A Constituição Federal me garante isso. Não entendo a razão pela qual, todas as vezes que um negro se levanta contra o racismo, muitas pessoas aparecem com os mesmos discursos, dizendo que todos somos iguais e que não há motivo para reclamar (…). Negar o racismo é a principal forma do RACISMO.”

Para ler o texto completo: O humor que mata
Se você não reconheceu o caso relatado por Thiago no post, maiores informações no post do Geledés:  A certeza da impunidade: Danilo Gentili oferece ‘bananas’ a internauta negro pelo Twitter

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Love your body day

Hoje é o Love your body day [Dia de amar o seu corpo], campanha para estimular que as pessoas mandem fotos de seus corpos mostrando que todos os corpos são bonitos. O cartaz da campanha de 2009 faz um trocadilho com o provérbio em inglês e diz que a beleza está no “eu de quem vê”, ao invés de “no olho de quem vê.”

Somos constantemente bombardeados com diversas instruções de como devemos, ou não, ser. Padrões de beleza são propagados de forma opressiva e reforçam indiretamente diversos preconceitos internalizados ao validar uma beleza sobre a outra. Em linhas gerais o ideal de beleza brasileiro é o europeu, por mais que a nossa população seja miscigenada e poucas pessoas se enquadrem nesta categoria. O padrão de beleza nacional, assim como o mundial, é submisso à ditadura da magreza, e prega que quanto mais magra a pessoa for “melhor”.

Esta definição rígida de como devem ser os nossos corpos causa todo tipo de mal-estar psicológico, desde o incômodo de se olhar no espelho, passando pela fixação em dietas de emagrecimento e culminando na exclusão social de diversas minorias que não se incluem na norma. Esta eterna inconformidade com um padrão de beleza também alimenta uma indústria milionária que ensina exercícios físicos, dietas milagrosas, cosméticos, procedimentos cirúrgicos, entre diversas outras facetas deste mercado.

Intrinsecamente relacionado a este padrão opressivo de beleza está o binário de gênero. Algumas características tidas como bonitas em homens não são bem vistas em mulheres, e vice-versa. Esta diferenciação da beleza masculina e da beleza feminina cria uma forte pressão popular para que as pessoas que se adequem a um dos gêneros. O sentimento subjetivo de precisar alinhar a sua identidade de gênero com a sua expressão de gênero em um dos extremos é o que chamamos de disforia*[1] de gênero.

A patologização das identidades trans*, e por extensão do gênero como um todo, é especialmente maléfica ao criar mecanismos sistemáticos que criam essa sensação de estranheza com o corpo ao mesmo tempo em que impede os procedimentos de adequação. Coloca em risco as pessoas que assumem tratamentos por conta própria, que muitas vezes acabam optando por métodos ilegais ou obsoletos, devido ao engessamento do sistema médico.

Portanto fica a dica do dia de hoje: ame o seu corpo. Amar o próprio corpo é um processo lento, muitas vezes oneroso e que precisa ser sempre atualizado, entretanto existe uma enorme satisfação pessoal ao aceitar o seu copo do jeito que é. Nossos corpos sempre serão usados contra nós como ferramenta de opressão, então se libertar destes esteriótipos patriarcais é uma forma de nos afirmarmos perante nós mesmos e a sociedade. Love your body.

[1] Disforia* aqui é usado de forma diferente do discurso médico. Disforia* seria a direta experiência binarista-cissexista da norma cisgênera. Ou seja, a norma orienta um binarismo – se falhamos em cumprir nos sentimos socialmente e morfologicamente inadequad@s. Esse sentimento é o que chamamos de disforia*. A disforia* só existe porque existe uma norma que regula comportamentos e morfologias. Só existe porque a sociedade é baseada da cisnorma, ou seja, no alinhamento compulsório morfologia-gênero. Isso não significa que o sentimento disfórico seja menos real ou passível de desconsideração, mas sim que o reforço das normas binárias cissexistas produz e reproduz a disforia*. Não é, como acredita a ciência, um sentimento puramente subjetivo das pessoas trans*, é um sentimento produzido por uma norma social. (via http://transfeminismo.com/o-que-e-cissexismo/)

O dia em que eu tive medo por ser mulher

A Ariane, do Mistura Urbana, escreve com sensibilidade um post contando o caso em que ela foi abordada e ameaçada sexualmente. Ela analisa os instrumentos governamentais que auxiliam a invisibilizar a causa feminista, ao mesmo tempo em que em que questiona a validação das agressões cotidianamente sofridas por mulheres.

“Não fui estuprada, não sofri lesão corporal, não voltei a encarar o agressor, mas isso não faz as coisas serem mais fáceis pra mim. Foi terrível. Tive medo por ser mulher. Nunca antes na minha vida tinha desejado tanto não ser.”

Leia o post completo em: http://misturaurbana.com/2011/12/o-dia-em-que-eu-tive-medo-por-ser-mulher/