A patologização do corpo

Hoje é o Dia Internacional de Ação pela Despatologização Trans, organizado pela STP (Stop Trans Pathologization) que este ano tem como ênfase a despatologização da diversidade de gênero na infância. Neste post pretendo abordar brevemente, em caráter empírico, a normatização dos nossos corpos e de como eles são aceitos na sociedade.

Combate a Patologização da Diversidade de Gênero na Infância

Apesar de nenhum signo ser intrinsecamente associável a um determinado gênero (ou ainda ausência de gênero), muitas vezes acreditamos que algumas características são naturais de algum gênero porque nos é constantemente dito que estas são exclusivas deste gênero. Qual comportamento é associado a qual gênero depende de diversos fatores, entre os quais estão localização geográfica e período da história abordado. Ironicamente um mesmo comportamento pode simultaneamente ser considerado masculino ou feminino em contextos diferentes.

Alguns comportamentos acabam sendo ressignificados ao longo do tempo através da reivindicação de grupos marginalizados, entretanto, na maioria dos casos sem uma leitura crítica pelo resto da sociedade. Apesar de alguma exceções, os limites do gênero são tão rígidos e inflexíveis que qualquer incursão mais ousada fora dos limites impostos são prontamente identificadas, se não para serem combatidas para serem lidas como inovadoras ou audaciosas.

Ao termos nossos gostos e expressões podados por um sistema binário rígido e normatizador temos nosso potencial de desenvolvimento amplamente prejudicado. Nossos gostos e nossas opiniões são constantemente filtrados e avaliados, gerando censura e punição caso destoantes da hegemonia estabelecida. Nossos corpos (e, por extensão, todos os nossos gostos, nossas vontades e nossas formas de expressão) são patologizados dentro de um ideal de corpo correto (masculino ou feminino) dentro de uma ótica cissexista.

A patologização das identidades trans* nos diz quais corpos são expressões legítimas para um determinado gênero e oprime todos os corpos que não se enquadrem deste padrão. Esta patologização não apenas discrimina algumas identidades, mas sim todos os corpos, ao limitar todas as esferas da nossa vida dentro de uma separação arbitrária coercivamente binária (e muitas vezes lida como antagônica). O gênero deixa de ser uma expressão individual e torna-se uma ferramenta de controle da sociedade sobre todos os corpos. A patologização das identidades trans* é a patologização do gênero, do corpo.

A despatologização é um instrumento imprescindível e urgente para a humanidade das pessoas trans*, sejam elas binárias ou não-binárias. Entretanto é também imprescindível que isso não seja feito por interesses egoístas das pessoas cis em ter seus corpos despatologizados, é necessário que compreendamos que enquanto uma pessoa não for livre ninguém o será. Que transformemos nossos corpos em campos de guerra e resistamos sempre.

Fuck gender!

Fuck gender!

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