O preconceito mata

Somos constantemente sufocados com expectativas, em especial de familiares e amigos, e se falhamos em preenchê-las podemos ter problemas de convívio social. A heterossexualidade, assim como a perpetuação da família, são duas coisas que em muitos casos são tidas como compulsórias mesmo sem o consentimento da pessoa em questão. Melhor sermos odiados pelo que somos que amados pelo que não somos.

Algumas famílias tentam “curar” a homossexualidade dos filhos (como faz Marisa Lobo), existem diversos relatos de pessoas que são expulsas de casa ao se assumirem homossexuais, além da célebre máxima: “Que foi que eu fiz de errado”? Todas estas expectativas são criadas e perpetuadas ao nos silenciarmos, sustentando esta crença de uniformidade na sociedade. Erguer-se e enfrentar a heteronormatividade é difícil (e em alguns casos fatal), mas desconstruir o sistema de preconceitos é imprescindível para uma vida mais digna para si e para os outros.

Uma forma bastante utilizada para sair do armário é através de cartas. Não é exatamente a forma mais corajosa, mas dá um tempo para que todo mundo possa refletir sobre o assunto antes de de facto conversar. Este tempo antes do confrontamento pode ser muito benéfico para evitar reações negativas, ou ajudar a pessoa a se planejar para o eventual caso de algo dar errado.

Caso você se sinta confortável em manter uma conversa aberta e direta creio que essa seja a melhor forma para sair do armário. Algumas pessoas preferem estar namorando antes de contar (o que de certa forma reforça o esteriótipo por mais tempo). E, infelizmente, em muitos casos os pais descobrem invadindo a privacidade dos filhos. É sempre bom ter um plano B para depois que assumir, alguma casa de conhecido para passar ao menos uma noite, ou deixar algum amigo de sobreaviso.

Se você quer escrever uma carta para sair do armário e não tem ideia de como a fazer a psicóloga Odegine Graça, escritora do blog Cá entre nós, nos traz um exemplo emocionante que um de seus pacientes escreveu. A carta aborda diversos pontos importantes ao se sair do armário, mas o mais importante, reafirma algo que todos sabemos internamente e temos medo de assumir. Mais vale sermos quem somos do que apenas seguir as expectativas de alguém/da sociedade.

Sou só eu ou mais alguém nessa sala enxerga uma inadequação do homem à vida em sociedade? Qual a verdadeira relação do indivíduo com seu meio? Porque suas escolhas, sonhos, objetivos são tão importantes e relevantes a ponto de resultarem numa repressão violenta da sociedade contra os que optam por provocar um intervalo nessa ordem? O pior de tudo é que essa violência ocorre no seu íntimo, desde o conflito comportamental de gerações às escolhas da vida. Sua família e seus amigos confundem intimidade com imposição. Eu te conheço tão bem que tenho o direito de te obrigar a aceitar isso. Devo ditar o que é certo para você ou não, o que você deve fazer da vida, o quão absurdo tomar essa decisão ou não tomar aquela, o quanto sua diferença me irrita, por eu não conseguir compreender porque ela é uma diferença. Todos nós somos parte dessa cultura.

Leia a carta na íntegra em O preconceito mata. Só não esqueça de preparar a caixa de lenços de papel.

P.S.: Vale ressaltar que apesar das dicas ponderadas eu não usei nenhuma delas antes de sair do armário.

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2 Respostas para “O preconceito mata

  1. Bacana o blog.

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