Dia do Empoderamento

Desde que eu recebi este relato eu fico me perguntando sobre como aconselhar uma pessoa nesta situação. Pedi conselhos pra diversas pessoas, mesmo que tenha sido tudo meio inconclusivo. Segue o relato com uma curta edição.

Inicialmente, gostaria de dizer que sentiria me realizado numa situação de empoderamento. Mas na verdade, encontro me no processo de empoderamento, porque aí não me consigo libertar dos pré-conceitos e da intimidação do olhar do outro.
Para mim, é bem claro que sou homoafetivo. Tenho tesão por homem. Já tive três grandes amores. Mas ainda tenho a dificuldade de abrir o jogo, de defender a causa, de se assumir  para a família.
Ultimamente, com a rede social facebook, principalmente, na comunidade _____, tenho modificado algumas atitudes. Com a leitura do mestrado em Foucault e Estudos Culturais, tem me dado mais sustentação e compreensão de mim mesmo e sobre a realidade ao redor.
Apesar de achar que as pessoas sabem de mim, ou desconfiam. Sou muito reservado. Quando defendo o grupo, argumento com timidez e inseguro (porque tenho tabu em falar sobre isso).
E vivo num conflito: ser aquilo que sou, ou aquilo que as pessoas querem que eu seja?
Já perdi amigos e conhecidos por saberem ultimamente que ando defendo as causas LDGBT na internet e na rodinha de conhecidos, bem como estar criticando a Igreja, de onde vivi a minha vida até aos 21 anos.
Mas ainda é bem claro para mim: João seja vc! Viva a sua vida! Mas é dificil qdo as pessoas te apunhalam por trás, qdo dizem o meu erro está relacionado a minha sexualidade.
Enfim, nesse processo de empoderamento quero chegar a uma fase da minha vida em que posso abertamente ser aquilo que sou, porque quero casar e adotar um filho. Quero viver a minha sexualidade, mas o imaginário social e a moral da atualidade dificulta existir enquanto aquilo que sou.

Eu sempre tive muita dificuldade de aceitação, passei boa parte da adolescência de forma assexuada devido à heteronormatividade compulsória. Só fui assumir que era gay depois que, coincidentemente, vários dos meus amigos já tinham se assumido, e foi também o meu primeiro porre. Passei muito tempo tentando descobrir como contar pros meus pais, pra não precisar guardar este segredo, perguntei pra todxs amigxs como eles fizeram, mas nunca conseguia tomar coragem o suficiente. Acabei contando de qualquer jeito, sem muito planejamento e nem nada do tipo. Então este aconselhamento me deixou bastante preocupado, inclusive porque percebo claramente o peso da decisão.

Sair do armário é deixar o mundo mais colorido!

De todas as opiniões que eu ouvi, a principal se concentrava em reforçar que sair do armário é um ato com grande peso político e que nós apenas podemos decidir quando ele começa, nunca quando ele termina. É difícil, e de certa forma nunca termina. Entretanto, sair do armário é uma ferramenta importantíssima para acabar com a homofobia, mostrar que nós existimos e que não somos pessoas diferentes por causa disso.

Dia 11 de Outubro é o Dia de Sair do Armário (National Coming Out Day) e é realizado nos Estados Unidos desde 1988. Está um pouco tarde para participar, mas ainda dá tempo de ver a seleção de vídeos da ONG Estruturação em http://diadesairdoarmario.tumblr.com/.

Comentem com dicas, contando as experiências de vocês e ajudando a criar uma rede de apoio entre nós. Se você gostou da história e quer participar também é só clicar aqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s