Avenida Brasil e Carminha: é machista por que é punitivista

“Há algum tempo em uma sala da escola onde eu estudo, um grupo de garotos tem se unido para, de forma ou outra, revezando estratégias, reproduzirem atitudes machistas: as difamam, agridem fisicamente com disfarce de brincadeira, humilham, chamaram várias de vadia e vagabunda em público, apostaram duas delas – quem ficasse com uma ganharia um valor x, quem ficasse com a outra ganharia valor 2x -, o que pra mim é prostituí-las e isso vem se tornando mais constante.

Fui, inclusive, uma das vítimas disso. Diante da passividade da escola com a situação, preferi apenas mudar de sala. Hoje, porém, novamente, situação dessas ocorreu, e de forma bem grave. Uma das minhas amigas resolveu reagir, e a escola mais uma vez nao tomou atitude alguma.

O garoto em questão, da situação de hoje, é maior de idade. Ele a chamou de vadia, falou que a outra menina não valia nem 20 reais (ou seja, objetificando-a de forma extremamente cruel) e criou situação de humilhação e constrangimento. Várias das meninas são testemunhas, e alguns garotos também.

Queria saber de quem é da área do direito, desse tipo de militância denunciativa, o que pode ser feito…”

Este é o triste relato pedindo ajuda que eu recebi hoje. Quando não se pode mais confiar nas estruturas de poder que supostamente servem para te proteger, a quem recorrer? Como dar a cara a tapa e ir a uma delegacia fazer uma queixa se você está acostumada a ouvir que é “histeria”, que é “culpa da TPM”, que “isso nem é tão grave assim”. Depois de tantas agressões como se manter firme?

Enquanto isso, no começo desta semana assisti uma boa parte do país vibrar e comemorar que a Carminha (personagem interpretada pela Adriana Esteves em Avenida Brasil) finalmente levou a surra que merecia por ter traído o marido. A mesma mulher que ao confessar ter se prostituído recebe como resposta “pelo menos você era bonita”, e a população aplaude.

As mulheres são frequentemente ditas para “se darem ao respeito”, mas que exatamente isto quer dizer? Se aprendemos e ensinamos que o respeito é condicional para mulheres, que a partir de um certo ponto é aceitável que se use qualquer método para se chegar aonde queremos, onde vamos parar? Quais seriam os limites aceitáveis deste respeito?

A Luka, do blog BiDê Brasil, fez um post mostrando os mecanismos de manutenção destes preconceitos contra a mulher, mostrando como “apesar de ser apenas ficção” este é um reflexo da nossa sociedade e como ajuda a manter o status quo. Ela é incisiva ao dizer:

“Nós deixamos isso passar por que entramos no transe, é só uma novela, assim como é só uma piada. Ninguém fala sobre as porradas que Max sofreu, ou a tortura feita por Nina a Carminha, ou a tentativa de assassinato de Nina por Carminha e tantas outras soluções sumárias que a novela nos apresentou. É machista por que é punitivista, mostra uma forma de estruturar o poder que mantém patriarcado e as estruturas vigentes. Pelo menos para mim é esse o debate e não o debate de: eu sei fazer o distanciamento entre ficção e realidade.

Ou agora vão dizer que uma novela é menos pior que uma piada machista?”

Para ler o post completo: http://bdbrasil.org/2012/10/09/avenida-brasil-e-carminha-e-machista-por-que-e-punitivista/

E não se esqueçam: Mulher, não se cale!
Central de Atendimento a Mulher – Ligue 180 e faça sua denúncia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s