Nenhuma agressão ficará sem resposta

Os casos de violência contra a mulher são tão frequentes que existe uma delegacia exclusiva para este tipo de crime. São frequentes na mídia, sofridos e causados por pessoas que estão em constante destaque tanto nacional quanto internacionalmente. São frequentes em toda forma de expressão: literatura, filmes, novelas, seriados…

Este vídeo é, para mim, extremamente simbólico. A Raquel (Helena Ranaldi) foge do Marcos (Dan Stulbach) devido à cultura de agressões e a recusa dele em aceitar o divórcio e reestabelece sua vida em outra cidade. Eventualmente ele a encontra e descobre que ela está se relacionando com um rapaz mais jovem. Para proteger ao namorado e a si mesma ela finge estar ainda apaixonada pelo o ex-marido, levando à cena do vídeo. Houve grande repercussão depois da veiculação destas cenas na mídia em horário nobre.

Ainda em Mulheres Apaixonadas temos a Dóris (Regiane Silva), vilã que batia nos avós, que apanha do pai como punição, num ciclo sistemático de violência. Já em Laços de Família a Íris (Deborah Secco) era constantemente espancada pelo Pedro (José Mayer) devido à sua sexualidade. Apesar dos contextos diferentes em cada um destes casos a constante é a relação de poder entre um homem e uma mulher.

Os desfechos das situações mostradas na televisão são em geral bastante simples e pouco burocráticos, entretanto reviver uma agressão deste porte parece uma tarefa árdua e que exige muita coragem para vencer os obstáculos sistemáticos impostos.

Recentemente a Paula sofreu um caso de agressão do seu então namorado e criou um blog, o Nenhuma agressão ficará sem resposta. Nele ela conta a história da agressão e mostra fotos dos hematomas, assim como hospeda diversas cartas de repúdio ao ato e apoio à vítima. Segue um trecho de uma carta postada, assim como o link para o blog.

“E mais, não devemos encarar isso como um ato de “um monstro”, um “surto psicótico” e muito menos como uma “briga de casal”, isoladas no espaço-tempo, entre uma vida relativamente serena. Aqueles que agridem companheirxs ou os que estupram mulheres ou espancam travestis e homossexuais não são “monstros” que “surtaram”, são um fruto ‘normal’ e previsível de uma sociedade que produz e regula – normatizando, normalizando, patologizando, marginalizando e excluindo – performances de gênero que reproduzem padrões binários de masculinidade e feminilidade e de heterossexualidade, em outras palavras, são fruto da heterossexualidade como regime político. Podem ser o seu vizinho, o seu pai, a sua chefe, ou mesmo seu companheiro de coletivo.”

Carta aberta de repúdio, escrita pela vítima: http://bastademachismo.blogspot.com/2012/10/venho-atraves-desta-carta-de-repudio.html

Mulher, não se cale!
Central de Atendimento a Mulher – Ligue 180 e faça sua denúncia

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4 Respostas para “Nenhuma agressão ficará sem resposta

  1. Gostei do paralelo com a novela e queria comentar algo além: as novelas ajudam na normatização da violência contra a mulher e na culpabilização da violência quando fazem como hoje na Avenina Brasil, colocam um homem, marido traído, por exemplo, pra bater na vilã.

    Essa porrada é delirante pra população porque aquela mulher tá tendo “o que merece”. Eu acho que isso tem um peso enorme na hora de todo mundo aprender a culpar a vítima.

    E ainda tem o detalhe que a mulher que sofre a culpabilização da violência sofrida sempre é chamada de vagabunda.

    Enfim, após esses comentários, ofereço toda minha solidariedade para Paula.

  2. Acho essa cena tão chocante. Ficou claro na novela que a mulher era a vítima, e que aquele era o agressor. Mas eu não gostei da representação mesmo assim porque o Marcos parece muito insano o tempo todo… é quase como se ele tivesse “cara de agressor”. Quando quem dera a gente pudesse identificar pelo rosto, quando os agressores se escondem entre a gente, até mesmo entre feministas, como foi o caso da Paula. Fica aqui todo o meu apoio a ela.

    E nessa cena a Raquel não é só espancada e humilhada, ela é infantilizada. O modo como ela olha pro Marcos e a posição que ela fica, apanhando de costas é extremamente infantilizante… o Marcos ali está quase patriarcal.

    Admiro muito a coragem das mulheres que expõem suas histórias, seus medos, seus sofrimentos. E admiro também os que dão voz a quem sofreu essa violência… a única sugestão que tenho pro post é adicionar o telefone da delegacia da mulher no final. Acho uma ótima oportunidade pra divulgar (:

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